Células de gordura podem regenerar músculos de roedor

SABINE RIGHETTI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

www1.folha.uol.com.br/ciencia/789212-celulas-de-gordura-podem-regenerar-musculos-de-roedor.shtml

A aplicação de células-tronco de gordura, injetadas por via sistêmica (na veia) repetidas vezes, pode ajudar a recomposição de uma série de músculos danificados.

É isso que mostram as pesquisas sobre aplicação dessas células no tratamento de doenças neuromusculares em camundongos, realizadas por alunos de doutorado coordenados por Mayana Zatz, geneticista da USP .

Os resultados foram apresentados no Congresso Brasileiro de Neurologia, ontem, no Rio de Janeiro, e serão publicadas dentro de semanas na revista “Stem Cell Reviews and Reports”.

O grupo comparou células-tronco de origem adiposa (gordura) e umbilical para verificar qual tem mais potencial para se transformar em diferentes músculos.

EFICIÊNCIA

A conclusão é que as células-tronco de gordura são mais eficientes na regeneração muscular. “Os camundongos melhoraram”, anima-se a cientista da USP.

O bom resultado das células de gordura pode ter relação com uma espécie de “memória” das células-tronco, que tendem a “voltar” a sua origem. “As células adiposas ficam mais próximas dos músculos”, explica Zatz.

As células do cordão umbilical chegaram aos músculos, mas não formaram proteínas humanas. O quadro dos animais ficou estagnado.

O bom resultado para as células de gordura tem uma vantagem: a facilidade de se obter essas células. “Não faltam doadores, todo mundo quer fazer lipo”, brinca Zatz.

NA VEIA

Os cientistas também estudaram a evolução do quadro dos animais conforme a via de aplicação das células.

Com aplicação local, as células-tronco desapareceram. Já por meio de injeções na veia, as células permaneceram no músculo por até seis meses. Ou seja: no caso de um possível tratamento, serão necessárias injeções repetidas dessas células.

Para a cientista da USP, é possível pensar em testes clínicos num futuro próximo. “Estamos chegando perto de fazer os testes experimentais em humanos”, afirma.

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